Nos primeiros minutos desta quinta-feira (06/12/2012), uma enxurrada de mensagens no Twitter dava o aviso: a loja on-line da Amazon acabara de iniciar suas operações no Brasil – www.amazon.com.br –. É verdade que este começo é tímido e cauteloso – por enquanto, o site só vende e-books –, mas representa os primeiros passos de uma iniciativa que tem chances enormes de mudar os rumos do comércio eletrônico brasileiro.

Amazon brasileira

Amazon brasileira

Criada nos Estados Unidos em 1995 por Jeff Bezos, executivo que permanece à frente da companhia até hoje, a Amazon se tornou referência em comércio eletrônico em várias partes do mundo, apesar de ter operações apenas em alguns poucos países: Alemanha, Canadá, China, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.

Na época de sua inauguração, a internet estava longe de ser tão popular quanto é hoje. Havia, é claro, negócios on-line tomando forma, mas assim como acontece com qualquer novidade, tudo era cercado de desconfiança e incompreensão. Mas, munido de bastante conhecimento sobre os hábitos de consumo dos norte-americanos, Bezos percebeu que havia grande potencial neste “mundo digital” e decidiu explorá-lo.

Jeff Bezos optou por iniciar seu negócio vendendo livros: assim como hoje, havia grande interesse de consumidores pela aquisição de obras dos mais variados tipos e, na internet, seria possível oferecer um acervo monstruoso, muito maior que o de qualquer livraria gigante dos Estados Unidos, a preços convidativos na maioria dos casos.

Foi aí que a Amazon nasceu: sem contar com nenhuma loja física, a empresa vendeu seu primeiro livro em julho de 1995, com todo o processo sendo realizado de maneira on-line. Mesmo acompanhado de alguns tropeços, o negócio deu tão certo que a Amazon começou a se expandir, aumentando cada vez mais a sua variedade de produtos até se tornar sinônimo de comércio eletrônico.

Esta grandiosidade toda, por si só, é motivo suficiente para que muita gente deseje a entrada da Amazon no Brasil. Mas, no que se refere ao nosso mercado, há ainda outra forte motivação: a expectativa de que a empresa consiga amadurecer de uma vez por todas o comércio eletrônico do país.

Em termos gerais, o mercado de vendas pela internet brasileiro beira a mediocridade, especialmente no que se refere aos grandes nomes do setor. Seguindo o que parece ser uma espécie de cultura comercial que contempla todo o país, estas empresas atuam tratando os clientes como um mal necessário e não como a parte mais importante da relação. As consequências todo mundo conhece: atraso nas entregas, pós-venda precário e assim por diante. Sendo este um comportamento generalizado, nada mais natural do que acreditar que a chegada de um grande player como a Amazon consiga ao menos amenizar este cenário.

Está muito cedo para sabermos se essa expectativa toda será atendida, mas mesmo sendo modesta, a estreia da Amazon no Brasil chama a atenção, não só por já oferecer um acervo inicial aceitável de e-books – 13 mil títulos em português, sem contar as obras nos demais idiomas -, destacando inclusive escritores brasileiros, como Paulo Coelho e Martha Medeiros, mas principalmente pela promessa de disponibilizar o leitor de livros digitais Kindle em breve. Por sua vez, os aplicativos Kindle para iOS, Android, Mac e Windows já podem ser baixados gratuitamente.

Amazon Kindle a ser vendido no Brasil

Amazon Kindle a ser vendido no Brasil

A princípio, apenas o modelo mais básico do Kindle, com tela de 6 polegadas, será disponibilizado em terras tupiniquins. O preço? 299 reais. Caro, especialmente se levarmos em conta que esta versão é comercializada por 69 dólares nos Estados Unidos, só que mais barato que os modelos que são vendidos por aqui via importação e mais em conta que o Kobo que a Livraria Cultura começou a oferecer recentemente por 399 reais.

Ainda no que diz respeito ao bolso, os preços dos livros é que talvez sejam o ponto fraco da Amazon brazuca, pois não estão muito diferentes do que encontramos em outras livrarias por aí. É esperar que uma negociação com editoras e distribuidoras brasileiras possam melhorar este aspecto, mas tenho a impressão de que não devemos contar muito com isso…

Não se sabe o quão longe a Amazon pretende ir no Brasil. Não é novidade para ninguém que o nosso sistema tributário e a complexidade logística do país, por exemplo, são importantes obstáculos, mas o primeiro passo está dado. Além disso, se levarmos em consideração o histórico empreendedor de Jeff Bezos, talvez não seja arriscado apostar que muita coisa interessante está por vir. É esperar para ver.

Emerson Alecrim

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