Enquanto os principais nomes da indústria móvel investem pesado em telas AMOLED e afins, a Onyx Internacional decidiu testar um caminho diferente: a empresa desenvolveu um protótipo de um smartphone com processador ARM Cortex A5 e sistema operacional Android 2.3 que utiliza tecnologia e-ink (tinta eletrônica) como tela, a mesma que equipa leitores de e-books (e-readers), por exemplo.

Smartphone Android da Onyx com tecnologia e-ink

Smartphone Android da Onyx com tecnologia e-ink

Para quem não sabe, tecnologias e-ink tentam exibir informações em uma tela da maneira mais similar possível ao de um conteúdo impresso em folha de papel. No caso dos leitores de e-books, como a linha Amazon Kindle ou os e-readers da própria Onyx, o usuário acaba tendo mais conforto para ler por causa da boa nitidez da tela (mesmo em ambientes abertos e afetados pela luz solar) e por não se deparar com o nível de luminosidade encontrado em um tablet ou em um notebook.

Mas, no caso do smartphone que a Onyx desenvolveu, as vantagens estão em outros aspectos. Para começar, telas e-ink consomem menos energia, razão pela qual a bateria do dispositivo dura, em média, uma semana (e eu acho que, com alguma otimização, é possível aumentar ainda mais a autonomia). Além disso, a tela e-ink contribui para deixar o aparelho mais leve, pesando apenas 70 gramas, aproximadamente. Por fim, o dispositivo tende a custar menos com este tipo de tecnologia.

O preço de tudo isso, é claro, está na visualização das informações: esqueça as cores. Neste smartphone, as imagens são exibidas apenas em preto e branco, como é característico das tecnologias e-ink. Mas, apesar disso, o smartphone parece funcionar muito bem. No vídeo abaixo é possível vê-lo em ação:

Muito interessante, não? “Mas por que eu vou querer um celular que só exibe imagens em preto e branco e que me lembra aqueles antigos PDAs monocromáticos?”, você pode estar se perguntando. De fato, para a maioria dos mortais, um aparelho assim não faz muito sentido, até porque, como é possível notar no vídeo, o tempo de resposta típico de telas do tipo pode ser frustrante. Mesmo assim, há aplicações em que seu uso certamente seria bem aceito.

Pessoas que enxergam pouco por causa de uma deficiência visual são um exemplo. Neste caso, a interface pode ser adaptada para exibir símbolos e caracteres grandes para facilitar a leitura da informação. É verdade que as cores podem fazer falta, mas a boa nitidez da tela talvez possa compensar.

Também podemos pensar em empresas que precisam de smartphones mais simples para a comunicação de seus funcionários. Um vendedor que necessita apenas acessar tabelas de preços ao visitar um cliente, fazer ligações e responder e-mails, por exemplo, se beneficiaria da vantagem de não ter que se preocupar em procurar uma tomada assim que chegar em algum lugar.

Por ora, este aparelho é apenas um protótipo e não há qualquer confirmação sobre seu lançamento. Mas não deixa de ser um projeto com algum potencial, especialmente se levarmos em conta que já há empresas trabalhando com tecnologia e-ink colorida, o que pode tornar a ideia ainda mais interessante.

Referências: El Android Libre, ARMdevices.net.

Emerson Alecrim

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