A Microsoft anunciou nesta semana o Surface, seu tablet com Windows 8. O dispositivo enfrentará os aparelhos com Android, mas com uma estratégia distinta e arriscada.
Para atrair os consumidores, a empresa de Bill Gates apostou numa combinação entre lazer e trabalho. Ao mesmo tempo em que funciona como tablet, o Surface também pode ser usado como um PC tradicional, sobre a mesa. O teclado foi incorporado à capinha, e o corpo do dispositivo tem uma aba que o deixa de pé sobre uma superfície plana. Se funcionar como prometido, será um computador ultraleve.

A estratégia da Microsoft pode ter um grande problema pela frente: o preço. Faltou dizer, na apresentação do produto, exatamente quanto ele vai custar. Pelas configurações apresentadas e pelo que indicaram os palestrantes, a versão mais simples, que virá com Windows RT, deve sair com valores similares aos do iPad e dos tablets mais avançados com Android, como o Eee Pad Transformer, da Asus. Já o Surface Pro deve custar o mesmo que um ultrabook. É muito, o que torna a aposta um tanto arriscada.

No Android, os tablets com valores similares ao do iPad até hoje não conseguiram ganhar uma parcela significativa do mercado. E isso apesar de serem aparelhos equivalentes. O preço alto foi um impedimento, uma vez que a Apple oferecia um produto similar com um ecossistema de aplicativos e conteúdo muito mais uniforme e rico. A equação começou a pender para o sistema do Google quando um “estrangeiro” entre os parceiros, a Amazon, sequestrou o Android e produziu o Kindle Fire, um tablet de 7 polegadas com uma versão customizada do sistema e um preço imbatível: 199 dólares. O aparelho vendeu milhões e tornou-se o segundo no mercado.

De olho no nicho mais popular, o Google viu uma oportunidade. Rumores indicam que a companhia desenvolveu um tablet de 7 polegadas com Android, que deve ter preço similar ao do Kindle Fire. É possível que ele seja apresentado na próxima semana, durante a conferência para desenvolvedores, o Google I/O. Com isso, a empresa pretende ampliar a parcela do seu sistema no mercado e consolidar sua posição. Isso pode estimular os desenvolvedores a criarem aplicativos, fortalecendo o Android e transformando-o em um concorrente de fato do iPad.

A Microsoft preferiu um caminho oposto. Logo saberemos qual dos dois estava certo.

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