A biografia de Steve Jobs mostra que ele dava tanta importância aos detalhes de seus produtos, que era capaz inclusive de levar um funcionário ao esgotamento até conseguir o que queria. Dependendo das circunstâncias, Jobs respondia argumentos como “não dá para fazer isso” ou “em tão pouco tempo é impossível” com “isso está ótimo, continue” ou “está uma merda, refaça”.

Fosse com massagens no ego ou com humilhações, o fundador da Apple quase sempre conseguia o que queria e, no final das contas, todo mundo concordava que ele tinha razão, que a tal característica enriquecia mesmo o produto. Com base nesta atenção tão acentuava aos detalhes, fiquei me perguntando: será que Steve Jobs teria aprovado a recém-anunciada terceira geração do iPad?

O novo iPad – Imagem por Apple

O “novo iPad” – Imagem por Apple

Primeiro ponto da dúvida: dimensões. O iPad 2 tem espessura de 8,8 mm, mas no novo iPad esta medida é de 9,4 mm. Para a maioria dos mortais é uma diferença que talvez nem seja notada, no entanto, Steve Jobs era tão perfeccionista que consigo imaginá-lo tendo uma ataque de fúria por entender que este detalhe é um retrocesso, por mais que seus engenheiros e designers demonstrassem a necessidade da espessura um pouco maior.

Segundo ponto da dúvida: o nome. A terceira geração do tablet está sendo chamada apenas de “novo iPad” e não “iPad 3”, como era esperado. É fato que Jobs gostava de nomear seus produtos para distinguí-los bem e, neste aspecto, “novo iPad” gera confusão, portanto, será que ele teria concordado? Está certo que a linha iPod, por exemplo, não tem suas gerações distinguidas por nomes ou números, mas aqui estamos falando de um dos principais produtos da Apple na atualidade.

Terceiro ponto da dúvida: o fator novidade. O novo iPad parece apenas uma versão melhorada do iPad 2, assim como o iPhone 4S o é em relação ao iPhone 4. Tela melhor, câmera mais generosa e compatibilidade com redes 4G são características bem-vindas, sem dúvidas, mas ficamos acostumados a ver Steve Jobs nos deixar surpresos, logo, a sensação de que faltou algo é eminente.

É claro que um produto como este não é elaborado em pouco tempo, assim, certamente Jobs teve acesso ao projeto do que conhecemos como novo iPad antes de dar adeus a este mundo. Levando este ponto em consideração, talvez a resposta seja “sim, Steve concordaria com o produto exatamente do jeito que foi anunciado”, mas é difícil afirmar.

Jobs talvez tenha optado por (ou se visto obrigado a) deixar suas principais mentes – o designer Jonathan Ive e o CEO Tim Cook – finalmente tomarem as decisões, afinal, trata-se de uma relação de confiança que foi preparada durante muito tempo justamente para isso. Mas, por ora, é difícil avaliar o trabalho da dupla ou identificar o que é ou não decisão de algum deles, já que tudo ainda gira em torno de ideias já estabelecidas. Não há novidades, portanto, ainda não conhecemos a Apple sem Steve Jobs.

Emerson Alecrim

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