Steve Jobs mostra o iMac

Nesta semana, muita gente se espantou com o design do Mac Pro. A própria Apple, no site oficial do produto, diz que o computador é o “futuro do desktop”. Bom, não é a primeira vez que a Apple afirma isso. E, cá entre nós, os caras têm crédito para poder afirmar isso. Basta lembrar do iMac, que chegou em 1998 trazendo conceitos que, de fato, revolucionaram o desktop. Vamos relembrar?

Publicado na INFO de outubro de 1998, o texto A vingança da maçã  mostrava claramente a ruptura proposta por Steve Jobs, que acabava de voltar à Apple. A reportagem começa com um teste sobre as origens do iMac e segue descrevendo os detalhes do produto. Veja a seguir a versão da matéria na íntegra (grifei algumas coisas que achei curiosas).

 

A vingança da maçã

iMac colorido
Curioso para conhecer a história do iMac, micro da Apple que parece peça de design? Então selecione abaixo as afirmações verdadeiras:

1. Steve Jobs, o eterno presidente-interino da empresa, ficou deslumbrado com o novo Fusca e decidiu imitar o visual arredondado.

2. Apaixonado por ficção, Jobs inspirou-se no desenho animado Os Jetsons para criar um micro doméstico.

3. O tom azul-esverdeado que aposentou o tradicional gabinete bege foi inspirado nas águas de uma praia australiana.

4. A idéia de usar plástico colorido foi inspirada num ferro europeu, da marca Rowenta, cujas cores e transparência são idênticas ao iMac.

Se você assinalou as três primeiras opções, parabéns! Elas fazem parte das explicações oficiais que o pessoal da Apple dá sobre o iMac. Já a quarta hipótese, bem… É confirmada apenas pelas más linguas. Seja como for, o iMac é o maior sucesso de design da história recente da computação. A badalação em torno da máquina que deixa à mostra seus circuitos só é comparável ao primeiro Macintosh, em 1984, aquele que Jobs e Steve Wosniak montaram na garagem de casa.

Amparado por uma verba de marketing de 100 milhões de dólares, o iMac devolveu à Apple o gosto do sucesso, depois de anos de baixo-astral. Multidões de americanos já se curvaram ao micro — um equipamento que, apesar dos quase 15 quilos, pode ser carregado de um lado a outro com ajuda de alças plásticas. Entre as outras particularidades do iMac está o tamanho reduzido de muitos componentes: placa-mãe, chip e memória. De dimensões normais são o disco rígido, o monitor e o teclado.

As estatísticas indicam que um em cada seis compradores de iMac nos Estados Unidos é usuário de primeira viagem. Outros 12% são antigos donos de PC que mudaram de plataforma. O iMac já é o computador de maior sucesso da história da Apple. Só no final de semana após o lançamento, em 15 de agosto, 150 000 americanos levaram para casa a caixa de papelão branca e laranja com seu iMac. Analistas internacionais estimam que no final do ano haverá 900000 iMacs plugados na tomada nos quatro cantos do mundo. Um relatório do instituto de pesquisa IDC vai adiante. Sugere que a empresa poderá saltar da oitava para a quinta posição no ranking de fabricantes.

No Brasil, o micro chega às lojas no início deste mês. Vem com o sistema operacional MacOS 8.1 em português, além de conexão com três provedores de acesso à Internet. Mas não terá teclado preparado para cedilha, til e os acentos que a empresa finge não ver que fazem parte do português. O preço do iMac, que nos Estados Unidos é um apelo forte, no Brasil é bem menos atrativo. Enquanto o micro custa 1 300 dólares lá fora, aqui ele deve ficar em 2 300 reais.

Longe de ser bonitinho mas ordinário, o iMac uniu elegância e bom desempenho. Na avaliação do INFOLAB, foi 12% mais veloz que um Pentium II de 266 MHz ao executar aplicativos gráficos. Em compensação, no software de edição de texto, o micro com chip PowerPC G3 de 233 MHz e 32 MB de memória foi 25% mais lerdo que o Pentium II de 266 MHz da Itautec, com 32 MB de memória e preço de 2 300 reais. “Desempenho à parte, o iMac é uma combinação de alta tecnologia e aparência tão familiar que não intimida o usuário”, diz o americano John Naisbitt, autor de livros como Megatrends.

Há, no entanto, pontos que mereceriam reparos. Fazer upgrade do iMac será quase impossível: só vai dar para adicionar memória. A opção de substituir todas as saídas de periféricos por conectores USB, ou Universal Serial Bus, também foi alvo de polêmica. Por um bom motivo: contam-se nos dedos os periféricos que já aderiram ao novo formato. Até final do ano, os fabricantes prometem recuperar o tempo perdido. Resta esperar.

Um dos maiores inconvenientes do iMac é a ausência do acionador de discos de 3,5 polegadas. Ao decretar a morte prematura do disquete, é possível que Jobs tenha escorregado. Afinal, só no ano passado produziram-se 4 bilhões de disquetes no mundo todo. “Quem quiser salvar seu arquivo num disquete pode plugar um floppy externo na saída USB”, diz Luciano Kubrusly, gerente-geral da subsidiária brasileira. Mas são pequenos adicionais como esse, 100 reais aqui, outros 70 reais ali, que acabam puxando demais o preço do iMac. Seja como for, a Apple já marcou uma dúzia de pontos com o lançamento do micro. Com um sucesso de vendas desse porte, tem chance de sair do nicho dos artistas gráficos (onde sempre manteve o prestígio inabalado) para ganhar o mercado de massa. Será que os PCs terão de novo concorrência?

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