Eu detesto a Qualcomm. Eles fazem com que meu recém-comprado smartphone com Snapdragon 600 pareça um ábaco. A empresa finalmente demonstrou a força de seu chip mais recente, o Snapdragon 800 (MSM8974), hoje em São Francisco e os resultados impressionam mesmo em uma semana cheia de novidades no mercado de processadores.

O Snapdragon 800 é um system-on-a-chip que une quatro núcleos de CPU Krait 400 a uma GPU Adreno 330. O quarteto de núcleos opera a uma fequência máxima de 2,3 GHz e a unidade de vídeo tem um clock de 450 MHz. Como sempre, a Qualcomm integrou um modem avançado ao chip, com suporte a LTE Categoria 4. O processo de fabricação usa uma litografia de 28 nm desenvolvida pela TSMC especialmente para componentes mobile. Consequentemente, o Snapdragon 800 atinge frequências mais altas e processa mais instruções por ciclo que seu antecessor.

O Anandtech rodou alguns benchmarks no tablet de referência e os resultados são excelentes. Nos testes de CPU o desempenho do chip não surpreende tanto, embora tenha superado o poderoso Cortex A15 da ARM (presente em algumas versões do Galaxy S4) em algumas situações. Os resultados da Adreno 330 foram muito mais sensacionais. O benchmark 3DMark, por exemplo, apontou um ganho de quase 100% no desempenho em relação à Adreno 320, que ainda é uma GPU mobile muito rápida. A Adreno 330 supera a PowerVR554MP4 do iPad de quarta geração e tem um desempenho similar ao de uma GPU de desktop de alguns anos atrás, como a GeForce GTX 7900 da Nvidia.

A Qualcomm tem planos grandiosos para todo esse poderio gráfico. O Snapdragon 800 consegue codificar e reproduzir vídeo em 4k a 30 FPS com um bitrate de 120 Mbps. É verdade que os OEMs raramente implementam esse tipo de recurso em sua totalidade. O bitrate costuma ser a vítima preferencial no momento de realizar cortes por que a maioria dos consumidores não presta atenção nessa especificação. A própria Qualcomm limitou o frame rate em 25 FPS para a demonstração de hoje. Ainda assim, o potencial desse chip como produtor de mídia é tremendo. Infelizmente a aceleração de hardware está limitada ao codec H.264, mas isso é compreensível, dado que o H.265 está em desenvolvimento e seus encoders ainda são muito ineficientes.

Uma ausência óbvia da demonstração da Qualcomm são os testes de bateria. Por causa do processo de fabricação avançado, a Qualcomm promete que o Snapdragon 800 não é tão sedento quanto o Cortex A15, que consome muita eletricidade para um processador mobile. O tremendo desempenho da GPU me deixa particularmente cético, mas se as afirmações da Qualcomm forem confirmadas por testes reais, creio que o Snapdragon 800 vai garantir mais alguns anos de domínio da empresa sobre o mercado de smartphones.

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