von wong

O making-of do trabalho foi fotografado pela Edward Lian Photography

A maioria dos fotógrafos jamais vai segurar uma Hasselblad moderna nas mãos, mas não tenho dúvidas de que todos nós temos pelo menos um pouco de curiosidade em saber como é fotografar com uma máquina que custa dezenas de milhares de dólares. Também duvido que alguém dispute a qualidade de imagem dessas máquinas de formato médio. No entanto, quando a Nikon lançou a D800 em 2012, seu sensor de 36 MP fez muita gente se perguntar “Será que a Hasselblad vale os 27 000 dólares a mais”? O fotógrafo profissional Benjamin Von Wong acaba de terminar um trabalho utilizando a D800e e a H5D e escreveu sobre sua experiência. Será que você consegue diferenciar as imagens de cada câmera?

Em termos técnicos existe um mundo inteiro de diferenças entre o sistema da H5D, que é baseado em um CCD de 50 MP, e o da D800e, que usa um CMOS de 36 MP sem filtro de antialiasing. Já de início, a tecnologia de captura segue fundamentos diferentes em cada máquina: quem estiver interessado nesses detalhes, pode ler o meu artigo sobre o primeiro sensor CMOS da Hasselblad. Tal disparidade teórica leva a uma série de consequências práticas que Wong notou ao longo do trabalho.

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Wong normalmente fotografa com a D800e e, como era de se esperar, sua experiência com câmeras CMOS Full Frame fez com que ele se concentrasse em dois pontos de divergência entre elas e a H5D: desempenho de ISO e velocidade. A natureza dos sensores CCD faz com que eles produzam imagens com muito ruído em níveis de ISO alto (me refiro a qualquer número acima do ISO 400). Também como uma consequência da estrutura do CCD, a câmera é bem mais lenta tanto no que diz respeito ao frame rate e à operação geral. Não há LiveView na H5D e o processamento das imagens demanda um tempo significante. Outra questão é que o sistema de autofoco é bem mais limitado do que o das câmeras CMOS profissionais, especialmente em cenas escuras.

foto 4

No entanto, Wong notou que a lentidão não é uma característica necessariamente ruim. Ela força o fotógrafo a prestar atenção nos detalhes e a fazer cada disparo valer a pena. Pessoalmente, imagino que se trate de um processo mais iterativo, com várias fotos de teste para experimentar com a exposição. Outro ponto que chamou a atenção do fotógrafo foi o viewfinder gigantesco, que lhe oferecia mais espaço para desenvolver a composição.

foto 2

Apesar das limitações que citei acima, Wong também cercou a H5D de elogios. Além do viewfinder, o fotógrafo ficou impressionado com a alta velocidade de sincronia de flash (que ultrapassa 1/250 na H5D)  e com a tecnologia True Focus. Essencialmente, esse é um recurso que utiliza o acelerômetro da H5D para deslocar um ponto de foco que é inicialmente ajustado no centro do frame. Dessa maneira é possível recompor a imagem sem se preocupar com a perda de detalhes. Wong também mencionou o peso do movimento do obturador, que, obviamente, é bem maior que o de uma Full Frame. Pessoalmente, esse é o ponto que sempre me incitou mais curiosidade: será que é muito difícil manter as mãos firmes ao disparar com uma câmera desse porte?

foto 3

Mas no final das contas, o que importa mesmo é o resultado final. Você conseguiu perceber a diferença entre as quatro fotos que eu postei? Eu não vou dizer quais foram tiradas com cada câmera. Recomendo que você visite o blog do fotógrafo para ver as respostas e outras imagens belíssimas. Mas posso dar uma dica: preste mais atenção no plano de fundo. O sensor maior da H5D produz um efeito de profundidade de campo mais rasa e, dada uma distância focal fixa, distorce a perspectiva de maneira distinta. Quanto a qualidade em si das fotos, eu diria que é quase impossível notar a diferença entra as duas com esses JPEGs em um monitor comum. Além de serem pequenos demais, esse formato de imagem usa apenas 8 bits por canal de cor, um tipo de compressão que elimina as gradações sutis de tons da H5D. Se essas fotos fossem impressas, provavelmente notaríamos a superioridade da Hasselblad.

Claro, existem outras diferenças tangenciais à qualidade de imagem. Câmeras de formato médio costumam ser muito modulares. Em vez de apenas poder trocar a lente, o usuário pode trocar o sensor e até o prisma do viewfinder. Isso torna a máquina mais adaptável a situações específicas e diminui o preço de um eventual upgrade. Esse tipo de câmera também costuma ser acompanhado de um serviço de suporte mais completo. A Hasselblad, por exemplo, inclui um software de processamento chamado Phocus, que tem uma série de recursos interessantes, incluindo um aplicativo mobile que dá acesso remoto para clientes que quiserem escolher suas fotos favoritas enquanto o fotógrafo ainda está trabalhando.

De qualquer maneira, podemos aprender algumas lições a partir deste experimento. A mais importante delas é que as câmeras de formato médio são ferramentas para necessidades específicas. Se o seu cliente precisa de efeitos que só elas podem produzir, então o preço elevado é irrelevante simplesmente porque não há alternativa. No outro extremo, não pense que simplesmente comprar uma H5D faz você se tornar um fotógrafo profissional da noite para o dia. Na verdade, como deve ter ficado implícito nas limitações de ISO e desempenho que citei acima, esse é um equipamento tão especializado que um usuário inexperiente produziria fotos piores que as de um smartphone.

 

Via PetaPixel.

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