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De todas as novidades que a Apple apresentou hoje, a que mais me surpreendeu pessoalmente não teve nada a ver com iPads ou aplicativos. Devo admitir que o novo modelo comercial do Mac OS X, que se tornou gratuito, foi algo próximo de um choque para mim, mas esse era um caminho natural para um sistema que se aproxima cada vez mais do iOS. Imprevisível mesmo, só o preço do Mac Pro, que chega às lojas dos EUA no final do ano.

Claro, esses 3000 dólares se referem apenas ao custo da configuração mais básica da máquina: uma CPU Xeon E5 com 4 núcleos a 3,7 GHz, duas AMD FirePro com 2 GB de VRAM cada, 12 GB de RAM (1866 MHz, ECC) e um SSD de 256 GB. Essas especificações são boas para uma workstation de entrada, mas não são nada inacreditável. Um HP Z820, por exemplo, pode ser configurado de maneira similar sem fugir muito dessa faixa de preço. A questão é que o Z820 é um gabinete de torre convencional e o Mac Pro é… bom, no mínimo, ele é incomum.

Estamos falando de uma workstation com um design cilíndrico completamente diferente de tudo que já apareceu nesse segmento de mercado. O Mac Pro também é minúsculo para uma máquina com essa configuração: 25 cm de altura e 16,7 cm de diâmetro. Além de dar conta do TDP de duas GPUs simultâneas, o sofisticado sistema de refrigeração instalado nesse computador promete ser bem silencioso. Resumindo, essa maquininha é um grande feito de engenharia, um delicado quebra-cabeça que equilibra potência, dissipação energética e visual surpreendente.

Ao mesmo tempo, certos detalhes da configuração podem redundar em benefícios práticos muito importantes. O fato de que o Mac Pro usa um par de GPUs por padrão, por exemplo, cria um incentivo para que desenvolvedores passem a suportar o Crossfire em aplicações baseadas em OpenGL. É perfeitamente possível fazer com que o OpenGL empregue os recursos das duas placas, mas suporte oficial em programas como o Maya tornaria o processo todo muito mais fácil.

Enfim, é realmente impressionante como a Apple conseguiu juntar um Xeon E5 modificado (o clock anunciado não corresponde ao dos processadores comuns dessa classe), uma GPU dupla customizada, memória ECC e um SSD montado em PCIe (com escrita de 1 GB/s!) em um pacote tão pequeno, tudo por apenas 3 mil dólares. Meses atrás, quando o Mac Pro apareceu em público pela primeira vez, ninguém me convenceria que a Apple, dado o histórico dessa empresa, praticaria um preço como esse.

No entanto, ainda não consegui me decidir se considero o Mac Pro um bom negócio ou não. A Apple parece ter se concentrando tanto nos desafios de design que sua visão final para o produto acabou sendo restritiva demais. A configuração de GPU escolhida, por exemplo, é certamente muito forte, mas a impossibilidade de trocá-la quando ela eventualmente se tornar obsoleta é um defeito fatal para uma workstation. O próprio fato de que o Mac Pro só trabalha com placas da AMD já o torna menos útil para qualquer profissional que dependa de aplicações baseadas no CUDA. Similarmente, não sobrou espaço para baias extras de HD na máquina, sem mencionar que ela possui apenas 4 portas USB 3.0. Em outras palavras, o Mac Pro é péssimo quando o assunto é upgrade.

Pode-se argumentar que as 6 portas Thunderbolt 2.0 resolvem esse problema. De certa forma, isso é verdade: em muitos contextos, uma banda de 20 Gb/s é suficiente para o tráfego de dados. Mas o fato é que a PCIe ainda é muito mais rápida e, portanto, mais útil em muitas situações. Mesmo que esse não fosse o caso, a ideia de depender de módulos externos é um tanto contraditória em relação à filosofia de design do Mac Pro. Afinal, que razão existe para ter um computador pequeno com visual limpo se ele precisa estar sempre ligado a um emaranhado de cabos? É difícil não admirar o que a Apple conseguiu realizar com essa máquina, mas mais difícil ainda é imaginar o papel dela no mundo real das workstations.

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