Talvez não seja exagero dizer que a HTC está à beira do abismo. Para uma empresa que se dedica quase que exclusivamente ao competitivo mercado de smartphones, mesmo um período curto de vendas baixas pode ser fatal. Mas o grau de especialização da HTC em sua área não deixa de ser uma vantagem. Como Mozart, que morreu compondo uma de suas obras mais memoráveis, a fabricante taiwanesa não se deixou abalar pelo momento difícil e produziu um telefone que incorpora toda sua filosofia de design. O resultado é o One, sem “S”, “X”, “4G” ou qualquer outra denominação. Em muitos sentidos, o One é o início (ou o final) de tudo para a HTC e não há nome mais apropriado para esse aparelho. Leia mais para descobrir o que o torna tão especial.

O One é design industrial sem comprometimentos. Construído a partir de um bloco sólido de alumínio que é gradualmente lapidado ao longo da linha de produção, ele ostenta um grau de qualidade de acabamento que até hoje apenas a Apple conseguiu realizar (embora a Nokia provavelmente venha a se tornar um concorrente à altura com o Lumia 928). As fotos não fazem justiça ao One. Pesando apenas 145 g e medindo 1 cm de espessura, esse é um dos aparelhos mais confortáveis que já segurei. É, também, um dos mais atraentes. A única parte do design que me desagradou foi o logo da Beats Audio na traseira, que não fica muito bem na versão prata do aparelho (há também uma versão preta).

Para combinar com o acabamento luxuoso, a HTC instalou uma tela estonteante. Trata-se de um painel LCD IPS com resolução Full HD e pixels organizados na matriz RGB. Houve uma preocupação especial com a calibragem de cor que tornou esse display mais fiel do que uma tela de típica de AMOLED, por exemplo. Ao lado da tela encontramos um som estéreo calibrado pela Beats Audio que é o melhor que ouvi em um smartphone (o que, honestamente, não é um grande elogio). Uma câmera engenhosa de 4 MP ocupa a traseira.  A HTC está apostando que desempenho em cenas escuras é mais importante para o consumidor do que resolução pura e simples.

Por dentro, o One se parece com um Galaxy S4. Ele também utiliza um SoC Snapdragon 600(APQ8064T) com quatro núcleos Krait 300, mas vale notar que o clock destes é um pouco menor (1,7 GHz). A GPU, por sua vez, é uma Adreno 320. Sobra ainda espaço para NFC, infravermelho e Wi-Fi ac. Dando suporte a tudo isso, encontramos uma bateria de 2300 mAh. O modelo que tenho em minhas mão é o internacional, com suporte para as frequências 800 MHz, 1800 MHz e 2600 MHz de LTE.

O One roda Android 4.1.2, mas é como se este fosse um sistema proprietário da HTC. A interface foi tão modificada que até veteranos podem se perder no sistema. As mudanças não são necessariamente ruins, mas a experiência é consideravelmente diferente do Android convencional.

Infelizmente, o HTC One não será vendido no Brasil. De qualquer maneira, o modelo mais básico, de 32 GB, pode ser encontrado por cerca de 575 dólares no exterior. Quanto à questão de se ele realmente é melhor que o Galaxy S4, nossa resposta aparecerá na próxima edição da Info.

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