A Lytro não é nenhuma novidade. Ainda assim, não pude deixar de escrever algo a seu respeito quando finalmente a segurei em minhas mãos. Relembrando, esse é uma câmera de campo de luz que capta um tipo de informação diferente do que é gravado pelas câmeras convencionais. Essa distinção permite que a imagem seja alterada de várias formas mesmo depois que a foto já está gravada na memória. O fotógrafo pode mudar o ponto de foco ou, mais recentemente, até mesmo a perspectiva da imagem.

Mais especificamente, enquanto o sistema óptico das câmeras normais converge os raios de luz para um ponto focal, a Lytro possui um grupo de microlentes na frente do sensor que dispersa esses mesmos raios. Consequentemente, a câmera não apenas capta a intensidade da luz refletida pelos objetos da cena, como também calcula a trajetória dos raios. O resultado é que ela pode deduzir como uma determinada imagem seria caso ela tivesse sido focada de maneira diferente. Na prática, isso quer dizer que o fotógrafo pode gravar imagens sem se preocupar com o foco, que pode ser alterado posteriormente.

Claro, existem inúmeras ressalvas com relação a esse processo. A primeira delas é que a resolução é degradada. Por causa da manira como as fotos são renderizadas, não existe uma relação direta entre a resolução do sensor e a da imagem final. De qualquer maneira, as imagens que são convertidas para JPEG acabam com apenas 1,2 MP.

Outra questão é que o sensor da Lytro é bem pequeno. Com cerca de 6,5 x 4,5 mm, ele não é muito maior do que o sensor de um smartphone. Na prática, isso quer dizer que o efeito profundidade de campo rasa só pode ser atingido quando a câmera está muito próxima do objeto retratado. Mesmo nessa situação, a Lytro dificilmente produz o mesmo desfoque legal que uma DSLR de abertura larga. Em outras palavras, a parte mais divertida da Lytro, ou seja, refocar as fotos, é um tanto limitada. Talvez por essa razão, os fabricantes decidiram instalar uma lente de distância focal relativamente longa (equivalente a 43mm – 341mm no formato 35 mm) que magnifica os objetos e cria uma aparência de profundidade de campo mais rasa.

Por fim, a Lytro ainda está presa à leis da física convencional. Portanto, exposição, balanço de branco, sensibilidade e outros fatores cruciais da fotografia são válidos para ela da mesma forma que para qualquer câmera. Nesse ponto, aliás, a Lytro realmente não é excepcional. Para quem está acostumado com o formato 4:3, compor em 1:1 (1080 x 1080 pixels) também é um pouco estranho.

Apesar dessas questões, devo admitir que a câmera é sim muito divertida de se usar. Seu formato incomum e suas fotos mágicas dão uma sensação similar à que as pessoas do século 19 devem ter sentido com relação a bugigangas como o zootropo. A Lytro é sem dúvida muito charmosa. Não me divirto tanto com uma câmera desde que testamos a Instax Mini da Fujifilm. Eis um retrato que que fiz de Cho’Gath o Terror do Vazio com ela (clique na imagem para mudar o foco).

 

Mas a brincadeira tem um preço: pelo menos 399 dólares.

Pin It on Pinterest