mini z

A “visão de raios X” (ou qualquer outro poder que faça o herói enxergar através de paredes)  é uma mecânica comum em jogos focados em ações furtivas. No entanto, para o bem ou para o mal, esse tipo de tecnologia ainda não foi miniaturizada o bastante para ser instalada nos olhos de um futuro Big Boss. Mas não perca a esperança, pois a AS&E (American Science & Engineering) acaba de dar um passo nessa direção: um scanner de raios X que pode ser levado nas mãos.

Tradicionalmente, a radiografia por raios X depende da transmissão da radiação eletromagnética através de um corpo até atingir um sensor ou filme fotográfico. Como a capacidade de penetração dos raios depende da densidade dos objetos expostos, a imagem final pode revelar o contraste entre estruturas de diferentes composições. Por essa razão, os ossos de uma pessoa radiografada são claramente visíveis enquanto a pele é ignorada.

A desvantagem óbvia dessa técnica é que o objeto a ser exposto deve sempre estar entre o emissor de raios e uma mídia de gravação. Outro problema é que parte da radiação é refletida pelo corpo exposto em um fenômeno conhecido como dispersão de Compton. Quando um fóton de raio X interage com um elétron marginal, é possível que a trajetória do mesmo seja alterada, especialmente em átomos pequenos de compostos orgânicos. Tal efeito é similar ao que ocorre quando duas bolas de bilhar colidem. Esse mesmo fóton pode continuar interagindo dessa maneira com outros elétrons dentro e fora do objeto exposto antes de finalmente atingir o filme fotográfico. Na prática, essa dispersão dos raios X cria uma espécie de “neblina” sobre a radiografia, ocultando detalhes finos.

É fácil entender porque a dispersão de Compton é normalmente considerada um efeito indesejável, mas desenvolvimentos mais recentes inverteram essa posição. Em vez de expor uma mídia com os raios que atravessam o objeto a ser analisado, novos instrumentos se concentram justamente em capturar a radiação refletida. A imagem capturada por esse tipo de scanner é como o oposto de uma radiografia convencional: em vez mostrar como claros os objetos que mais absorvem a radiação, ela destaca as estruturas que mais dispersam os raios X.

Essa técnica de radiografia é especialmente útil para identificar compostos orgânicos , que têm uma probabilidade menor de absorver os fótons de raio X. Não por acaso, sua principal aplicação é procurar objetos como drogas e materiais explosivos. Embora essa abordagem seja mais conveniente por eliminar a necessidade de posicionar uma mídia de gravação atrás do objeto, ela por si só não muda o fato de que o equipamento necessário para gerar raios X é bem grande. Por essa razão, a AS&E começou a usar essa tecnologia em uma van especial que fez sucesso com as agências alfandegárias de vários países.

A grande novidade do Mini Z é a miniaturização dos tubos de vácuo que produzem os raios X. Tal processo de fabricação permitiu que a AS&E criasse um scanner que pode ser carregado por uma única pessoa, o que naturalmente o torna muito mais flexível. A unidade possui uma bateria interna e pode enviar as imagens em tempo real para um notebook através de uma rede sem fio.

Já está checando o limite do cartão de crédito para comprar um Mini Z? A não ser que você seja responsável pelas finanças das Forças Armadas, é melhor não esperar muito. Por enquanto essas máquinas estão sendo usadas pelo exército americano e é improvável que uma versão para civis seja lançada no futuro próximo. Veja o vídeo do produto abaixo:

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