miku

A cantora pop virtual Hatsune Miku já fez shows nos Estados Unidos e até introduziu uma apresentação da Lady Gaga, mas se ela algum dia vai dançar em palcos brasileiros ainda é uma questão em aberto. Mas quem não suporta a ideia de passar a vida inteira sem ver um pseudoholograma da musa japonesa tem pelo menos uma alternativa: importar uma Hako Vision.

Basicamente, o Hako Vision é uma caixa, mas no mesmo sentido em que o Google Cardboard é apenas um pedaço de papelão. A ideia é que ela seja aberta e que um pequeno pedaço de plástico translúcido seja encaixado em um ângulo de 45° em seu interior. Ao posicionar um smartphone no topo da caixa, a tela é reproduzida em uma imagem virtual que tem a aparência de um holograma. Obviamente, qualquer imagem da tela será reproduzida, mas o ponto desse produto é usar um aplicativo específico que contém vídeos da Miku feitos especialmente para o cenário da caixa.

Existem dois modelos por enquanto, cada uma com duas músicas. Uma das caixas foi feita para The World is Mine  e Story Rider, enquanto a outra foi projetada para Tell Your World e Two Dimensional Fever. Ambos foram lançados no último dia 11 por 500 ienes cada (cerca de R$10), mas como reporta a Famitsu, uma versão especial contendo as duas caixas será lançada em 19 de Setembro por 1.300 ienes (cerca de R$28).

Para quem não conhece a Miku em si, ela é um dos mascotes da linha de sintetizadores de voz Vocaloid, desenvolvida pela Yamaha. Desde de sua introdução, esse software se tornou imensamente popular, dando origem a centenas de canções em muitos gêneros musicais. Alguns músicos preferem tons mais robóticos, outros tentam reproduzir a voz humana de maneira natural.

Embora o Haku Vision pareça rústico, o princípio óptico que o torna possível é exatamente o mesmo usado nos shows da Hatsune Miku e que também foram empregados para trazer o rapper Tupac e Michael Jackson de volta à vida. Trata-se de uma técnica conhecida pelo menos desde o século 16 e que foi batizada de o Fantasma de Pepper, o químico que popularizou o truque.

O efeito é exatamente o mesmo que descrevi acima. Nesse tipo de apresentação o público fica diante de um palco sem saber que há um outro cômodo escondido onde os objetos a serem reproduzidos ficam. Entre essas duas áreas é posicionado algum tipo de material translúcido que reflete a imagem do cômodo escondido. Na época de Pepper o vidro era muito utilizado, mas atualmente um material proprietário chamado Musion Eyeliner é o mais comum para grandes performances. No caso de um show de alto nível como foi o do Tupac, a empresa responsável usou três projeções 1080p superpostas do cantor, gerando uma luz com intensidade de 54.000 lúmens. Ou seja, a sofisticação está no método de renderização das imagens e não na projeção em si.

Em contraste, um holograma depende de conceitos completamente diferentes. Simplificando, o holograma é o resultado da interferência entre dois raios laser que sensibilizam uma mídia (em geral, o filme fotográfico). Um dos lasers é dispersado pela área a ser captada, enquanto o outro ilumina o filme diretamente. Mais tarde, quando um laser de mesmo comprimento de onda ilumina o filme já sensibilizado, a difração da luz produz uma imagem virtual 3D genuína, mas esse efeito só é perceptível em uma sala com iluminação controlada.

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