rutile castle

Essa inclusão no mineral Rutilo lembra o castelo de cristal de um conto de fadas

Pedras preciosas são, em geral, sistemas de pequenas estruturas cristalinas que se repetem ao longo das três dimensões espaciais. Ao longo do vasto período de formação desses minerais, é comum que algum elemento estranho se intrometa nessa ordem rígida. Excetuando-se casos como os de um fóssil preso em âmbar, tais inclusões diminuem o valor da pedra para o mercado de gemas. Mas há quem enxergue beleza na imperfeição, e uma dessas pessoas é o fotógrafo Danny Sanchez, que usa um setup engenhoso de equipamento para criar fotos incríveis desses intrusos.

A técnica usada por Sanchez é uma espécie de fotografia macro levada ao extremo. Como os objetos são muito pequenos (com 2 mm ou menos de extensão), a câmera precisa ser fixada a uma lente com altíssimo poder de magnificação. No entanto, conforme a magnificação aumenta, a profundidade de campo se torna cada vez mais estreita. Quando se chega ao nível microscópico das estruturas cristalinas, a distância entre os planos em foco se torna igualmente microscópica.

dolomite e quartz

Dolomita em um cristal de quartzo

As imagens que você vê neste post são na verdade imagens compostas. Sanchez usa uma versão vertical do trilho de foco linear comum na fotografia macro para capturar uma série de fotos variando a distância de foco em apenas 0,025 mm em cada uma delas. A escala desse empilhamento de foco também é outro ponto peculiar. Sanchez precisa unir uma média de 80 imagens para atingir o resultado desejado, mas ele também já trabalhou com 150 quadros para criar uma única fotografia. Naturalmente, esse trabalho é feito com o auxilio de um software, no caso, o Helicon Focus.

espinela negativa

Cristal negativo em uma espinela

Assim como o foco, o trabalho da luz deve ser extremamente preciso. Em vez de usar lâmpadas comuns, o fotógrafo utiliza duas fontes de luz contínua, cada uma com um cabo dublo de fibra óptica. No final, ele pode contar com 6 pontos intensos de luz colimada.

Depois que as fotos são tiradas e combinadas, a imagem final ainda tem que passar por uma maratona de edição em programas como o Photoshop. A fotografia microscópica não é novidade, mas ela normalmente se restringe a trabalhos científicos sem pretensões estéticas e raramente se preocupa em produzir uma profundidade de campo muito ampla. É difícil expressar a quantidade de trabalho que está por trás de cada umas dessas imagens, por isso mesmo recomendo uma visita ao site, que contém mais fotos em maior resolução.

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