fazenda de insetos

A Hermetia illucens não é uma mosca típica. Relativamente higiênicas, elas geralmente não transmitem doenças e são incapazes de ferir seres humanos diretamente. Por ser exclusivamente saprófaga, essa espécie é frequentemente utilizada para consumir e sanitizar fezes de  animais domesticados. Seu maneirismo letárgico também torna o controle populacional uma tarefa trivial. Como se vê, são animais extremamente convenientes. Além de serem uma fonte considerável de proteínas, cálcio e aminoácidos, é claro. A conclusão é inevitável: a Hermetia illucens é perfeita para a alimentação humana. Ou pelo menos é isso que a designer Katharina Unger imaginou ao criar a Farm 432, uma fazenda de moscas que ocupa o mesmo espaço de um desktop.

O princípio é simples. Larvas são presas no compartimento branco do topo. Ao se transformarem em moscas, elas são atraídas por uma solução com cheiro de mel para a câmara principal, onde elas passarão o resto de sua vida útil reprodutiva. Os ovos produzidos nesse período caem em uma câmara que a designer, sem indícios de humor negro, chama de “jardim de infância”. Lá, os descendentes das larvas originais prosperam até se tornarem fortes o suficiente para escalar um tubo que desemboca em um compartimento removível. Algumas das larvas mais afortunadas são então movidas para o receptáculo do topo e o ciclo da vida continua. Mencionei que você deve cozinhar e comer o restante?

insetos preparados

Pode não parecer, mas a Hermetia illucens é mais eficiente que qualquer picanha. Seus corpos são compostos por 42% de proteína. Como as moscas adultas não comem e as larvas se alimentam do que é basicamente lixo, quase nada é desperdiçado durante sua reprodução. Unger alega que apenas 1 g de ovos pode resultar em 2,4 kg de larvas depois de 18 dias de cativeiro. Se isso servir de consolo, a designer também jura que as larvas cozidas emanam um cheiro similar ao de batatas.

A Farm 432 ainda não está à venda, mas tenho certeza que você mal pode conter a ânsia de comprar uma. Assista a um vídeo que reconta a vida e a morte das moscas:

Via The Verge.

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