Escolha uma Página

sensory

Você provavelmente já imaginou a brisa do Egeu raspando contra a face de Ulisses ou o chão duro do Inferno ferindo os pés descalços de Dante, mas que tal sentir realmente tudo isso? Não parece muito confortável? Um grupo do Media Lab, no MIT, tem outra opinião. Eles criaram um livro que usa uma série de sensores e mecanismos para reproduzir as sensações físicas do protagonista no corpo do leitor.

Mais especificamente, o livro é capaz de determinar qual é a página que está sendo lida no momento. Utilizando essa informação, um colete equipado com vibradores, partes infláveis e um aquecedor termoelétrico induz uma série de respostas fisiológicas em quem quer que o esteja vestindo. É possível, por exemplo, mudar a temperatura da pele do leitor, comprimir seu busto e até mesmo influenciar seus batimentos cardíacos. O livro também é capaz de emitir sons e possui 150 lampadas LED programáveis que têm um propósito similar ao do Ambilight nas TVs da Philips.

Por enquanto, o projeto se limitou a adaptar The Girl Who Was Puggled In, de James Tiptree Jr. A escolha foi apropriada:  esse romance de ficção científica relata a história de uma garota hospitalizada que controla um corpo artificial remotamente. É difícil imaginar se toda essa parafernália eletrônica engaja o leitor ou simplesmente o distrai do enredo, mas é para isso que servem os projetos experimentais.

Romances multimédia já são bem sucedidos sob a forma das Visual Novels, que vêm evoluindo há décadas no Japão. Talvez algo similar ao Sensory Fiction seja o próximo passo. A sinestesia é uma experiência que os escritores têm perseguido pelo menos desde Proust. Ainda assim, continuo a acreditar nas palavras de Hunter S. Thompson em Fear and Loathing in Las Vegas: “…mas nenhuma explicação ou mistura de palavras, de música ou de memórias pode resvalar na sensação que é saber que você esteve , vivo naquele canto do mundo e do tempo.”