O Dropbox não se intimidou com a chegada do Google Drive, serviço do Google que oferece armazenamento online a preços bem mais baixos do que os cobrados pela startup.
Quando o concorrente foi anunciado, no fim de abril, internautas ameaçaram provocar um êxodo do Dropbox. A revolta fazia todo sentido, uma vez que os planos de 50 GB e 100 GB trazem um valor por GB quatro vezes maior que o do Drive. No fórum oficial do Dropbox, o que mais se via eram comentários propondo uma fuga em massa. Esperava-se uma reação imediata, que resultasse em uma queda de preços. Mas o tempo passou e nada aconteceu.

O Dropbox ignorou o Drive. Não baixou os preços, não criou novos planos, nem aumentou o volume de espaço gratuito a que os internautas têm direito (quer dizer, dobrou o bônus que você ganha ao convencer um amigo a criar uma conta, mas isso foi antes de o Drive chegar). Sem saber se partiam ou se ficavam, os assinantes do serviço cobraram uma posição. O que receberam foi o silêncio. Muita gente migrou. Houve também os que foram para o serviço do Google, se arrependeram e voltaram. Nem mesmo as idas e vindas provocaram uma reação da startup.

Drew Houston e Arash Ferdowsi, fundadores do Dropbox, são corajosos. Resolveram enfrentar o Google, apostando na qualidade do serviço que inventaram. O sangue frio não vem de agora. Em 2009, eles foram procurados por Steve Jobs e recusaram-se a vender a empresa para a Apple. O plano era integrar o Dropbox ao futuro iCloud. Cercados por concorrentes e cobrando uma taxa premium pelo serviço, Houston e Ferdowsi não têm dado pistas de que vão ceder à pressão.

Uma das saídas que o Dropbox encontrou foi firmar parcerias com fabricantes de smartphones com o sistema Android, como HTC e Samsung. Determinados aparelhos produzidos pelas empresas, como o HTC One X e o Samsung Galaxy S III, por exemplo, dão a seus donos 25 GB e 50 GB gratuitos de armazenamento, por dois anos. Com isso, a startup ganha novos clientes e mantém parte dos mais antigos, pelo menos até decidir qual será o próximo passo.

O Google, no entanto, planeja melhorar o Google Drive. O ritmo de inovação dos produtos da empresa de Mountain View costuma ser frenético – veja, por exemplo, a evolução do Chrome. Além de apostar na estratégia kamikaze adotada por seus fundadores, o time do Dropbox terá de andar no mesmo passo de desenvolvimento do software. Para não ser atropelado.

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