Moedas e cabo de rede - Imagem ilustrativaNa semana passada, o Ministério Público Federal ajuizou uma ação civil pública contra a operadora Oi para combater um problema que se tornou bastante comum: de posse de dados sigilosos de novos usuários do serviço Velox, vendedores estão efetuando ligações para estas pessoas no intuito de conseguir assinaturas para provedores como Terra e UOL. O problema é que, na maioria das vezes, estas ligações são indevidas e podem representar um golpe.

Aconteceu comigo no final de abril. E olha que eu uso Vivo Speedy, não Oi Velox, já que moro em São Paulo (SP), o que sugere que estas ligações podem estar acontecendo com muito mais frequência do que se pensa. O meu diálogo foi mais ou menos assim:

– Bom dia! Eu gostaria de falar com o senhor Emerson [meu nome completo].

– É ele.

– Senhor Emerson, eu represento o provedor Terra e estou ligando para ativar a sua assinatura do Speedy.

– Como assim?

– O senhor precisa ativar a sua assinatura, senão o seu acesso à internet será bloqueado em breve.

– Mas, olha, eu uso Speedy há 8 anos e já tenho conta em outro provedor e…

– Sim, mas esta senha é temporária e vai ser cancelada em breve. O senhor precisa ativar a senha definitiva agora!

– Peraí! Como é provisória se eu a tenho há 8 anos? Eu sou assin…

– É provisória! A sua assinatura do Speedy vai ser cancelada a qualquer momento!

– Mas…

E aí a ligação caiu. Instantes depois, liguei para a Vivo só para ter certeza de que não havia nada de errado com a minha assinatura. Como, de fato, não havia, passei a pesquisar pelo problema na internet e fiquei surpreso ao descobrir que estas ligações são bastante frequentes (o Reclame Aqui está cheio delas).

Pelo o que pude constatar, estes telefonemas acontecem, na maioria absoluta das vezes, em nome dos provedores UOL e Terra. O telefonista também pode se passar por funcionário da Oi ou de outra operadora, mas o objetivo é sempre o de conseguir assinatura para algum provedor.

Outra característica que chamou a minha atenção é que, não raramente, a pessoa que liga utiliza táticas de constrangimento durante a conversa: aumenta o tom de voz, demonstra impaciência (como se você estivesse a incomodando e não o contrário), tenta impedir o consumidor de falar e assim por diante. Foi exatamente isso o que aconteceu comigo – a maneira estúpida como a telefonista falava foi o que mais me surpreendeu.

O que foi incomum na minha ligação é que eu sou um assinante “velho”. Por padrão, o alvo são clientes novos, já que é muito mais fácil persuadí-los: se a pessoa assina um plano de acesso à internet e minutos ou horas depois recebe uma ligação a respeito desta assinatura, é de se presumir que, de fato, o contato está sendo feito pela operadora.

O processo que o Ministério Público Federal abriu contra a Oi visa lidar justamente com este aspecto. Informações sigilosas de assinantes novos estariam “vazando” da empresa logo após o estabelecimento dos contratos e parando nas mãos dos representantes dos provedores, resultando nas inconvenientes ligações.

A dor de cabeça é quase certa se o cliente acreditar nestes telefonemas. Além do valor cobrado, a pessoa poderá também ter que lidar com dificuldades para cancelar a assinatura, sem contar alguns problemas “extras”: soube de consumidores que se depararam com cobranças de serviços adicionais, como antivírus mensal e disco virtual, sem sequer saber da existência deles. É mole?

Como se prevenir

Em ofício encaminhado ao Ministério Público, a Oi alegou que está sendo “vítima” de um esquema de venda de dados dos clientes e que está tomando providências para resolver a situação. Mas é bom não contar muito com isso, até porque o problema também pode atingir clientes de outras operadoras, como foi o meu caso. Assim, é melhor tomar alguns cuidados:

– Ao receber ligações do tipo, jamais passe informações de sua conta bancária ou de seu cartão de crédito, mesmo sob o argumento de que determinado serviço é gratuito e que os dados servem apenas para fins cadastrais;

– Não se deixe levar pelo tom de urgência da ligação. Desligue o quanto antes e, se tiver dúvidas, entre em contato com o serviço de atendimento da operadora;

– Se você já for assinante, pode receber uma proposta de ter a velocidade do seu plano aumentada. Desconfie, especialmente se disserem que você deve se tornar cliente de determinado provedor para usufruir da oferta.  Novamente, vale a dica de entrar em contato com a companhia telefônica para tirar dúvidas;

– Lembre-se de que há opções gratuitas de provedores para fins de autenticação. Os provedores pagos oferecem serviços adicionais, como e-mail e conteúdo fechado, mas você não é obrigatório a contratá-los;

– Se você realizou alguma assinatura por causa de ligações do tipo, você pode cancelá-las. Se tiver dificuldades para isso, não hesite em procurar o PROCON. O mesmo vale se você tiver recebido cobranças sem ter feito contratação.

Não se esqueça também de orientar pessoas que vivem com você (pai, mãe, filho, esposa, marido, etc.) sobre a importância de ter cuidado com estas ligações e não passar informações sigilosas por telefone. Diante da dificuldade que temos para resolver estes problemas no Brasil, a prevenção continua sendo o melhor remédio.

Emerson Alecrim

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