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Durante a Segunda Guerra, os Aliados produziram uma pistola de fabricação simples, capaz de disparar só uma vez, e a chamaram Liberator FP-45. A ideia era jogá-la de aviões para as forças de resistência aos nazistas na França e em outros países invadidos. A Liberator ressurgiu em uma versão que ilustra as inovações e os desafios de nossa época.

A nova Liberator é distribuída pela internet, e para fabricá-la não é preciso mais do que uma impressora 3D doméstica, vendida por cerca de 400 dólares. Um dos idealizadores do projeto, o estudante de direito da Universidade do Texas Cody Wilson, 25 anos, teria criado a arma para mostrar que a aprovação de leis de desarmamento nos Estados Unidos não impedirá que as pessoas tenham a liberdade de portar armas.

Mais do que isso, Wilson iniciou uma polêmica que está longe de chegar ao fim. Afinal, qual é o limite para a distribuição de objetos perigosos por meio da internet? Poucos dias após a publicação da Liberator, o Departamento de Defesa

dos Estados Unidos ordenou a remoção dos arquivos da internet. Até o polêmico Kim Dotcom se opôs ao projeto, impedindo que fosse hospedado no seu serviço,oMega.Emboraoestudante Wilson tenha acatado o pedido de retirar o esboço da arma do ar, já era tarde. O arquivo se espalhou e, em dois dias, foi baixado mais de 100 mil vezes. Segundo o grupo Defense Distributed, que publicou o link para o download da pistola Liberator, o Brasil foi o terceiro país que mais baixou o projeto.

Mas imprimir a arma no país é crime. “Uma coisa é baixar. Outra é fabricar. Isso fere o Estatuto do Desarmamento, que proíbe a produção não autorizada de armas, e pode gerar pena de quarto a oito anos de reclusão, mais multa”, afirma Coriolano Almeida Camargo, advogado e presidente da Comissão de Crimes de Alta Tecnologia da OAB-SP. Há também o risco de a arma machucar quem a manipula. Feita de plastic ABS, o mesmo usado nos tijolinhos da Lego, a pistola só tem uma peça metálica. Tratase de um prego, necessário para o disparo de balas de calibres como o .22 e o .380.

Como esse mecanismo é rudimentar, a pistola corre o risco de explodir no momento do tiro. A falta de precisão da arma, no entanto, não é a maior preocupação das autoridades. Hoje a produção da Liberator é artesanal demais para ser usada em larga escala por criminosos ou militares. Mas o projeto está vivo e qualquer pessoa pode modificá-lo.

* Texto: Maurício Moraes / Foto: Dulla

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