A Microsoft pode defender o sistema sempre conectado do Xbox One com o argumento de que a internet é ubíqua no mundo de hoje, mas o fato é que bilhões de pessoas ainda não ingressaram na rede. Essa é uma realidade infeliz por um lado, mas também uma tremenda oportunidade de negócio por outro. O problema é que a “nuvem” que supre a demanda por processamento desse mercado crescente de usuários de tablets e smartphones não poderia ser mais sólida: seus servidores ocupam espaço e, acima de tudo, consomem muita energia. Existem várias estratégias para contornar esse obstáculo e uma delas é o desenvolvimento de CPUs eficientes para uso em microservidores, como é o caso do Cortex A15 que também aparece em algumas versões do Galaxy S4. Não por acaso, a AMD planeja ganhar mais espaço nesse mercado justamente com um processador ARM, sobre o qual mais detalhes foram divulgados hoje.

O “Seattle” será um system-on-a-chip de 28 nm baseado no ARMv8, a primeira arquitetura 64-bit da ARM. Mais especificamente, a empresa oferecerá SoCs com 8 ou 16 núcleos Cortex A57 rodando a um máximo de 2 GHz. Esses componentes prometem o dobro do desempenho e um TDP (consumo de energia) menor do que o de um Opteron comum. O Seattle também suporta SATA, 10Gbe (ethernet) e até 64 GB de DRAM. Mas a grande vantagem desse chip é a integração com algumas tecnologia da Seamicro, a bem-sucedida fabricante de microservidores que foi comprada pela AMD no ano passado.

Esse iniciativa da AMD pode se tornar uma ameaça séria para o Atom da Intel no ramo dos servidores eficientes. Resta saber se a mudança do x86 para arquiteturas licenciadas da ARM serão uma alternativa economicamente viável para a AMD no longo prazo. Afinal, é sempre bom ter controle total sobre a área de pesquisa e desenvolvimento. Mas se o modelo der certo, pode ser que um chip ARM da AMD escape para dentro de um notebook ou de um tablet no futuro.

 

Via Anandtech.

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