Na tarde desta quinta-feira (23/03/2012), eu participei de um encontro muito esclarecedor com o pessoal da W3C Brasil sobre um tema que muitas vezes não recebe a atenção merecida: acessibilidade na Web. Há quem faça pouco caso do assunto por não saber do que se trata ou até mesmo por entender que este é apenas um “discurso politicamente correto”. Mas, na verdade, é apenas uma questão de consciência.

Quando nos referimos à acessibilidade na Web, estamos falando de fazer com que sites e serviços on-line possam ser utilizados irrestritamente por qualquer pessoa, inclusive portadores de algum tipo de deficiência. E, acredite, não é difícil fazer com que seu site ou blog possa ser acessado tranquilamente por cegos, surdos ou pessoas que têm restrição de mobilidade.

O primeiro e talvez o mais importante passo para isso consiste em deixar o código das suas páginas o mais limpo possível e de acordo com os padrões Web, ou seja, utilizando devidamente recursos como XHTML, HMTL5 ou CSS (Cascading Style Sheets). Difícil? Que nada, basta seguir as regras, por exemplo:

Nos textos, use a tag

para o título principal,

para o subtítulo e assim por diante; Use

para distinguir cada parágrafo; Nas imagens, preencha o atributo alt para descrevê-las (não precisa ser nada longo, apenas palavras suficientes para descrever o que a imagem mostra); Use corretamente e seus atributos para inserir links; Ao fazer layouts, utilize CSS e nunca tabelas. Use tabelas somente para tabelas.

Ao seguir as regras, você está deixando claro que um título é um título, que um parágrafo é um parágrafo, que um link é um link e assim por diante. Há várias vantagens nisso: seu navegador vai exibir a página como você deseja; buscadores como o Google terão mais facilidade para indexar seu conteúdo; a página carregará mais rapidamente porque seu código está limpo; e, de quebra, seu site ficará mais acessível.

Como? É muito simples. Você sabe como as pessoas cegas utilizam a internet? Se orientam por meio de softwares que literalmente leem o conteúdo mostrado para elas, como o VoiceOver, da Apple, ou o Orca, de código-fonte aberto. Se o seu site estiver dentro dos padrões, o programa saberá facilmente distinguir o que é título, o que parágrafo, o que é link, entre outros, tal como acontece com o seu navegador. O vídeo a seguir mostra o VoiceOver em ação em um iPhone:

“Bom, mas o programa não é capaz de descrever uma imagem”, você diz. Pois é, até existem iniciativas neste sentido, mas mas nada perto do ideal. É por isso que você deve preencher o atributo alt: o programa irá ler a descrição que você inseriu ali. E, se por algum motivo a imagem não for exibida na página, o navegador usará o conteúdo de alt para informar ao usuário o que deveria aparecer ali.

Exemplo de uso de uso de alt:

”Robô

Outro exemplo vem de pessoas com restrição de mobilidade. Sabia que nem todo mundo consegue usar um mouse? Neste caso, a pessoa utiliza algum equipamento especial para auxiliá-la na navegação ou, se for o caso, se limita ao teclado. Em situações deste tipo, o usuário pode utilizar a tecla Tab para pular de link em link (faça o teste aí), daí a importância de criar links corretamente.

O assunto também se estende aos surdos. Hoje, conteúdo em áudio e vídeo é bastante comum, por isso, o ideal é, sempre que possível, inserir legendas nos vídeos ou transcrever o conteúdo de um podcast, por exemplo. Compreensivelmente, muita gente não pode fazer isso porque o trabalho exigido é muito grande ou há limitações técnicas, mas quem tem condições deve fazê-lo.

É claro que muito mais pode ser feito para deixar os sites acessíveis, mas seguir os padrões Web já ajuda bastante. Acredite, há muitos sites por aí que abusam tanto de Flash, JavaScript e códigos obscuros que sua navegabilidade por pessoas com algum tipo de deficiência é um martírio!

A gente precisa levar em conta que acessibilidade faz bem para todo mundo, até mesmo para quem não possui nenhuma restrição física. Espero que isso nunca aconteça, mas você pode quebrar o braço e ficar temporariamente dependente da tecla Tab, por exemplo. Ou simplesmente estar utilizando um tablet no Metrô para ver um vídeo, mas deixá-lo mudo por estar sem fones de ouvido – neste caso, as legendas quebram um galhão, não?

Se você quiser se informar melhor sobre o assunto, os seguintes links são boas referências:

Diretrizes de Acessibilidade para conteúdo na Web (W3C); Apresentação da W3C sobre acessibilidade na Web (em PDF); Blog da W3C Brasil; Acessibilidade Legal; Acessibilidade.net.

E para quem possui um site acessível ou desenvolve atividades relacionadas ao tema, eis uma dica: a W3C Brasil está promovendo o Todos@Web – Prêmio Nacional de Acessibilidade Web, um concurso para premiar iniciativas sobre o tema. As inscrições podem ser feitas até 31/03/2012.

Quanto ao InfoWester? Bom, fiquei feliz ao notar que o site está bem em relação a alguns aspectos de acessibilidade, mas ainda há trabalho a ser feito. E será, certamente ;-)

Emerson Alecrim

Posts relacionados: Porque eu fiquei decepcionado com a Sky Online KLM usará redes sociais para que passageiros escolham ao lado de quem se sentar no avião HP traz 3PAR para o Brasil e mostra porque a “tomou” da Dell

Pin It on Pinterest