Após o auge dos jogos de 16 bits, a Sega tentou superar a Nintendo apostando em CDs e nos jogos que intercalavam gráficos e vídeos. Não deu certo, mas vale a pena relembrar o ambicioso projeto do SegaCD.

Nintendo e Sega eram, sem nenhuma dúvida, as duas principais forças do mundo dos games. Com seus consoles de 16 bits, respectivamente o Super Nintendo e o MegaDrive, as duas empresas se revezavam na inovação e nos lançamentos. Se a Nintendo pisou primeiro no terreno dos sucessos com gráficos tridimensionais, com Star Fox e Donkey Kong, a Sega respondeu criando o 32x, um acessório que aumentava o poder de fogo do Mega.

Tanto num caso quanto no outro, a saída encontrada pelas empresas era caprichar no hardware. Os cartuchos da Nintendo vinham com um chip que permitia os gráficos melhorados. E a Sega, que não conseguiu o mesmo êxito, apelou para os add-ons. Primeiro o 32x e depois, em 1991, o Sega CD.

Como o próprio nome entrega, a grande inovação do aparelho era substituir os jogos em cartuchos por compact discs. Assim, era possível gravar muito mais informações e criar experiências de nova geração para o console. A principal delas era usar a técnica FMV (full motion video), que incluía vídeos nos jogos. Um exemplo sensacional é Sonic CD, que tinha trechos de desenho animado entre as fases.

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Os tempos eram outros. E entre o lançamento do Sega CD no Japão, nos Estados Unidos e no Brasil, mais de dois anos se passaram. A Sega acreditava que ainda não era hora de lançar outro console e que a coisa certa a fazer seria aproveitar a base imensa de fãs do MegaDrive. ávidos por novidades no seu console.

Até aí tudo bem, mas a própria Sega deu vários tiros no próprio pé. O primeiro foi o preço do acessório. Lá fora ele custava 299 dólares o que, somado ao preço de 189 dólares do Mega Drive, custava o equivalente a 800 dólares nos valores de hoje. É bem mais caro do que qualquer console da atual geração.

A escassez de jogos foi outro problema sério. As produtoras ainda não estavam preparadas para criar vídeos e gastar tanta grana nos seus títulos. Além disso, os gráficos em 3D já despontavam como o caminho a ser seguido. Não dava para investir nos dois modelos e os FMV foram poucos e nem sempre bons.

Vendo a concorrência da Sony e seu PlayStation, a Sega se apressou para por o Saturn no mercado, em novembro de 1994. Isso tornou o Sega CD ainda mais confuso. Afinal, qual era o console de ponta da empresa?

O seis milhões de comparadores do acessório ficaram órfãos e profundamente frustrados. Em poucos anos, o 32X e o SegaCD viraram sucata frente aos concorrentes. E mesmo com várias melhorias em seu visual e uma certa insistência da empresa, o Sega CD foi descontinuado em 1996. Apesar de tudo, vale elogiar o pioneiro por abrir mão da segurança dos cartuchos e iniciar o caminho para a próxima geração dos videogames.

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